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Ciência e tecnologia ficam de lado em campanha eleitoral, alerta SBPC

A ciência e a tecnologia não são prioridades nas eleições, segundo a SBPC, que alerta sobre desafios como envelhecimento populacional e crise sanitária.

Por Administrador · 14 de setembro de 2026 · 17:01
Ciência e tecnologia ficam de lado em campanha eleitoral, alerta SBPC

A ciência e a tecnologia estão sendo ignoradas nas campanhas eleitorais de 2026, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, a presidente da entidade, Francilene Garcia, destacou que temas como transição energética, envelhecimento populacional e preparação para novas crises sanitárias ficam à margem do debate político, enquanto escândalos e disputas pessoais monopolizam a agenda. “O país é forçado a escolher entre corrigir falhas institucionais ou planejar o futuro, quando os dois deveriam ser abordados juntos”, afirmou.

Crise política e negligência de temas estratégicos

Francilene, doutora em engenharia elétrica e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), ressaltou que a SBPC tem tentado engajar candidaturas e promover debates sobre temas como mudanças climáticas, pandemias e digitalização, mas com pouco sucesso. “A ciência depende de regras estáveis e orçamento previsível, mas esses pontos são discutidos de forma periférica”, explicou. A entidade lançou o Observatório das Eleições, com mais de 100 propostas de políticas públicas, mas apenas uma candidatura federal e nenhuma estadual se comprometeu com as iniciativas.

A presidente destacou que, embora a ciência tenha ganhado visibilidade em momentos de crise, como a pandemia de 2020 e os desastres climáticos de 2024, o atual debate eleitoral não aborda temas essenciais. “Países líderes globais já discutem a exploração de terras raras e transformação digital, mas no Brasil, o foco está em questões que não impactam diretamente o futuro do país”, afirmou.

Desafios e propostas da SBPC

Além da crise política, Francilene alerta sobre riscos como novas pandemias e impactos do aquecimento global. “O Brasil precisa preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para cenários adversos e adotar medidas para conter eventos climáticos extremos”, disse. A SBPC também reforça a importância de regular a exploração de minerais críticos e investir em educação científica.

Questionada sobre a relação entre fiscalização dos Poderes e discussão de temas estratégicos, Francilene ressaltou a necessidade de respeitar protocolos legais e evitar que vazamentos de informações distorçam o debate. “O rito processual deve ser cumprido, garantindo o direito à defesa, mas não podemos permitir que interesses particulares monopolizem a agenda”, concluiu.

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Com informações de Agência Brasil (EBC).

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